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V Summit Transatlântico: panorama e análises

Em 16 e 17 de novembro aconteceu Nova Iorque, Estados Unidos da América (EUA), na sede da ONU e transmitida pela WebTV da ONU, o V Summit Transatlântico, organizado pela Political Network for Values (PNV) desde 2014, organização que, entre outros objetivos, promove e fomenta um modelo estreito e heterocentrado de família, inclusive nos documentos da ONU. O evento bienal reuniu políticos de extrema-direita e grupos extremistas da sociedade civil anti-aborto, desde a América Latina, EUA, África e Europa, especialmente da Hungria – país que possui laços estreitos com a PNV -, para comemorar os 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Com mais de 35 oradores, os discursos sublinharam, ao longo de toda reunião, a importância de “resgatar o significado original” da DUDH, junto de uma chamada para lutar contra os “falsos direitos” e os “direitos não universais”, entre esses os direitos reprodutivos das mulheres, como o direito ao aborto, e direitos à saúde e educação sexual de crianças e adolescentes e ao casamento e formação de família para populações LGBTQIA, especialmente para pessoas trans.

Entre os painelistas e comentadores, estavam Angela Gandra, ex-secretária nacional da Família durante o governo de Jair Bolsonaro, e Nikolas Ferreira, deputado federal por Minas Gerais eleito em 2022. Enquanto a presença de Gandra dá continuidade às relações por ela estabelecidas desde seu antigo cargo político e reforça seu papel como importante articuladora das pautas antigênero e antiaborto transnacinalmente e a prórpia manutenção do Brasil nesse circuito, a presença de Nikolas aponta para outro pilar de trabalho da PNV, de formação de jovens lideranças em seus temas. O deputado falou em nome da juventude no painel O Comprometimento da NY75 com os Direitos Humanos Universais, junto de outros jovens que participaram de cursos e treinamentos virtuais oferecidos pela PNV que fornecem recursos e ferramentas e conexões para a “defesa da vida, da família e da liberdade”. Recomendamos a leitura do artigo de Andrea Dip sobre esse Summit e algumas das relações da PNV e governos autoritários e conservadores publicado pela Open Democracy, e o relatório da Ipas em conjunto com Empower, The Political Network for Values: Global Far-Right at the United Nations, que explica como a PNV promove uma interpretação retrógrada, falsa e discriminatória dos direitos humanos. 



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